Quando o orçamento só dá para uma plataforma, a pergunta aparece sempre. A resposta começa por perceber uma distinção que nada tem de técnica: é de comportamento humano.
No Google, as pessoas procuram. Nas redes sociais, as pessoas são interrompidas. Tudo o resto decorre daqui.
Google Ads: apanhar procura que já existe
Alguém que escreve “canalizador urgente Braga” às onze da noite tem um problema agora. Não precisa de ser convencido de que precisa de um canalizador. Precisa de encontrar um.
O Google é imbatível quando:
- O seu serviço resolve um problema urgente ou pontual (avarias, saúde, reboques, advogados).
- As pessoas já sabem nomear o que procuram.
- A decisão é rápida e local.
A desvantagem: só chega a quem já está à procura. Se ninguém procura o que vende, não há procura para captar, e o Google não a cria por si.
Meta Ads: criar procura que ainda não existe
Ninguém abre o Instagram a pensar “vou procurar um ginásio”. Mas se lhe aparecer um vídeo de trinta segundos de um ginásio a 800 metros de casa, com uma oferta de inscrição, pode muito bem parar o polegar.
O Meta funciona melhor quando:
- O produto é visual e beneficia de ser mostrado (restauração, estética, moda, ginásios, turismo).
- A compra é por impulso ou por desejo, não por urgência.
- Quer chegar a pessoas que ainda não sabem que precisam de si.
A desvantagem: está a interromper. Precisa de criativo bom, e o criativo cansa: o que funcionou durante seis semanas deixa de funcionar e tem de ser substituído. É um dos erros que mais desperdiça orçamento.
A regra prática
Se tem de escolher um, use este critério, que falha pouco:
- As pessoas procuram ativamente o que vende? Escreva o serviço no Planeador de Palavras-Chave do Google. Se há volume de pesquisa mensal na sua zona, comece pelo Google.
- Não há volume de pesquisa, mas o produto vê-se bem numa foto ou num vídeo? Comece pelo Meta.
- É um serviço urgente? Google, quase sempre.
- É um serviço de desejo, e a decisão demora? Meta, quase sempre.
Há um terceiro caminho que se esquece com frequência: o Perfil de Empresa no Google. Para negócios locais, aparecer no mapa e nas pesquisas próximas é gratuito e costuma render mais do que os primeiros euros gastos em qualquer uma das plataformas.
E quando há orçamento para as duas?
Antes de dividir, convém saber quanto custa cada plataforma para o seu objetivo. Aí deixa de ser uma escolha e passa a ser uma sequência. O Meta gera procura e faz as pessoas conhecerem-no; o Google apanha essas pessoas quando, mais tarde, pesquisam o seu nome ou o seu serviço.
Nesse cenário, uma parte do orçamento de pesquisa deve ir para campanhas de marca. Proteger o seu próprio nome custa muito pouco e evita que um concorrente apareça acima de si quando alguém já o anda a procurar.
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